sexta-feira, 11 de julho de 2014

ALEMANHA 7 X 1 BRASIL

O evolucionismo pode ajudar a esclarecer porque o 7 x 1 não humilhou os jogadores brasileiros, nem a comissão técnica. Humilhou o próprio futebol brasileiro.

Segundo o Prêmio Nobel Daniel Khneman, o processo evolutivo dotou o cérebro humano com mecanismos de resposta imediata e mediata que chamou de Sistema 1 e Sistema 2. O primeiro trabalha com intuições e o outro com a razão. Para ser rápido, o Sistema 1 tira conclusões associando as memórias mais acessíveis ─ que são as mais recentes, espetaculares ou traumáticas.

Neste momento doloroso, nosso Sistema 1 só consegue resgatar imagens ruins do Felipão e dos jogadores e as conclusões sobre eles são as piores possíveis. Mas vamos deixar de preguiça e colocar o Sistema 2 para trabalhar:

A espetacular seleção de 1982 foi legítima representante do que havia de melhor no futebol brasileiro. Vinte dos vinte e dois convocados jogavam no Brasil.

A seleção campeã de 2002 ainda representava nosso futebol, pois mais da metade (12/23) do elenco atuava no país e a maioria dos outros saiu daqui amadurecida, campeões da Copa Libertadores da América (Roque Junior e Junior), do Campeonato Brasileiro (Rivaldo e Roberto Carlos), etc.

Ao contrário, os jogadores da atual seleção não representam nosso futebol. À exceção de Neymar, saíram prematuramente do país e foram formados no futebol alemão, inglês, italiano, francês, espanhol, ucraniano, etc. O verdadeiro futebol brasileiro é o que se vê no Brasileirão: muita correria e pouca técnica.

A despeito da precariedade de nosso futebol, conseguiu-se amealhar atletas espalhados pelo mundo afora e montar uma seleção com qualidade suficiente para ganhar a Copa das Confederações e ser semifinalista da Copa do Mundo. Um grande feito.  Os jogadores e a comissão técnica estão de parabéns.

Os verdadeiros responsáveis pelo vexaminoso 7 x 1 são os administradores brasileiros do esporte ─ CBF, governo, clubes e empresários ─ que permitiram que a situação chegasse onde chegou: fuga precoce de talentos, clubes falidos, torcidas organizadas violentas, preços exorbitantes desproporcionais à qualidade dos espetáculos, falta de intercâmbio de técnicos e jogadores com os grandes centros futebolísticos, estádios vazios, etc.


Para sermos sinceros, o Brasil não merecia ganhar essa Copa, nem a Argentina, cujo futebol consegue ser ainda pior do que o nosso. A Alemanha sim.

Ilustração: © Tomajestic | Dreamstime.com
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sábado, 29 de março de 2014

ESTUPRO: CORRER MAIS OU MENOS RISCOS

O jornal O Globo noticiou a ocorrência de protestos nas ruas e na Internet em resposta a divulgação da pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em que 65% dos entrevistados concordam, em alguma medida, que a mulher que deixa o corpo a mostra “merece” ser estuprada.

A respeito dos 58,5% que concordam que “se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros”, Ancelmo Gois, colunista de O Globo, reportou: “Antenado, o novelista Manoel Carlos escreveu uma cena em que Virgílio (Humberto Martins) e Helena (Julia Lemmertz) leem a notícia sobre essa pesquisa e se mostram indignados.”

Os protestos são mais do que justos, pois ninguém “merece” ser estuprado, em hipótese alguma. Porém, não concordo com a indignação contra os que acreditam que o comportamento prudente possa diminuir a incidência de crimes.

Raciocinemos:

Das pessoas que avistam um cão solto em via pública, quais correriam mais riscos, as que mudam de trajeto e tomam distância prudente ou as que não se desviam? A proximidade aumento o risco de ataque. Reconhecer o fato não atenta contra o direito à livre circulação das pessoas, nem diminui a responsabilidade civil e criminal do dono do cachorro.

Será que alguém, em sã consciência, discorda?

Analogamente, a mulher que se utiliza de roupas ou atitudes provocantes em situações inseguras se expõe a uma probabilidade maior de estupro. Identificar o risco maior que as incautas correm não lhes nega o direito de usar a roupa que quiserem, nem atenua o crime do estuprador.

Não podemos nos iludir com o brilho radiante do verniz civilizatório, pois, abaixo dessa fina camada, o ser humano continua sendo um animal violento.

Será que alguém, em sã consciência, discorda?

Foto:  ©  | Dreamstime.com

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domingo, 23 de fevereiro de 2014

UMA BOA PERGUNTA

Aproximadamente, metade da população é homem e metade é mulher.  Por que dentre elas há o sentimento generalizado de que faltam homens e neles o sentimento é de que mulheres não faltam?

Uma mulher me respondeu que não é que faltem homens é que faltam homens desejáveis porque a maioria não presta. E os que prestam, raramente, estão livres.

Não creio que, em média, as mulheres sejam melhores do que os homens e nem vice-versa. Porém, concordo que existam mais mulheres desejáveis do que homens. Simplesmente, porque eles são menos exigentes. Mas, por quê?

Por razões evolutivas.

Apesar de, conscientemente, nem sempre queiramos filhos, instintivamente, identificamos como desejáveis as pessoas mais adequadas à reprodução da espécie.

Devido a capacidade reprodutiva do homem ser praticamente ilimitada, qualquer mulher saudável lhe é desejável. Mas o desejo da mulher é necessariamente mais seletivo porque suas oportunidades reprodutivas são limitadas pela gravidez, amamentação e vida fértil mais curta.

Digamos que os homens se satisfaçam, ao menos durante algum tempo, com mulheres nota 4, enquanto elas querem, no mínimo, 7.

Ilustração: ©  | Dreamstime.com

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sábado, 8 de fevereiro de 2014

DESMISTIFICANDO O SOBRENATURAL

A ocorrência de eventos pouco prováveis parece sobrenatural às pessoas que, ao contrário dos matemáticos, não estão familiarizadas com o Princípio da Improbabilidade: qualquer evento improvável torna-se provável em um contexto de grandes números.

Em um grupo pequeno, parece-nos uma incrível coincidência haver duas pessoas que façam aniversário no mesmo dia porque não nos damos conta de que ao se combinar as pessoas, duas a duas, formam-se muitos pares, precisamente, n x (n-1)/2.

Por exemplo, em uma classe de 30 alunos, são 435 pares possíveis (30 x 29 / 2), ou seja, 435 chances de haver coincidência. Calculando, a probabilidade de dois alunos fazerem aniversário no mesmo dia é de 68%. Portanto, é bem mais provável haver do que não haver dois alunos que façam aniversário no mesmo dia.

A ciência sabe muito, mas não sabe tudo. Digamos que a probabilidade de haver uma cura inexplicável de câncer seja mínima, uma em um milhão. Porém, como são mais de 14 milhões de casos de câncer registrados por ano, é razoável supor que, todo ano, aconteçam 14 curas passíveis de serem consideradas milagrosas.

Se você prestar atenção verá que por trás de todo acontecimento “sobrenatural” há um grande número. A própria existência do ser humano seria totalmente improvável sem bilhões de anos de seleção natural.

Fonte: Revista Scientific American, fevereiro de 2014, Never Say Never, pag. 58-61
Foto: ©  | Dreamstime.com
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terça-feira, 19 de novembro de 2013

SEXO CASUAL NÃO COMPENSA PARA ELAS

Sob o título acima, o jornal O Globo do último domingo noticiou (pag. 47) pesquisa de universidades americanas mostrando que 75% das mulheres chegam ao orgasmo quando existe compromisso e apenas 40% (contra 80% dos homens) quando o encontro é casual. O que só vem corroborar minha tese de que o “ficar” não é bom para a mulher.

Porém, muita gente prefere crer em ideais a aceitar os limites que a natureza nos impõe. O que explicaria porque o comunismo, uma organização social própria de abelhas e formigas, e não da natureza humana, teve tantos simpatizantes.

A natureza feminina é diferente da masculina, sobretudo, a reprodutiva. Quando a natureza humana foi forjada, muito antes do advento da civilização, todo o encargo dos filhos gerados por sexo casual recaía sobre a mulher (atualmente, a maior parte ainda recai). Portanto, para o homem, constituir família tinha a vantagem de aumentar a probabilidade de sobrevivência dos filhos, enquanto o “sexo sem compromisso” tinha a vantagem de gerar filhos que não demandavam investimento. Para a mulher o “sexo sem compromisso” só tinha desvantagens.

Essa desigualdade se expressa nos sentimentos de cada gênero: para o homem, o simples fato de conseguir levar a mulher para a cama já é uma vitória, enquanto que para a mulher, o sexo seguido de indiferença ou rejeição é uma derrota.

Foi o ideal de igualdade entre os sexos que fez com que as mulheres considerassem o “sexo sem compromisso” uma conquista. Amarga ilusão!


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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

"DIET" E “ZERO” ENGORDAM?

Indiretamente, sim.

Quando ingere menos calorias do que necessita, o organismo consome reservas de gordura e a pessoa emagrece. Todavia, recomenda-se não cair na tentação de comer um biscoitinho para mitigar a fome, pois o sabor dos carboidratos (massas e doces) dispara a produção de insulina.

Além de metabolizar glicose, a insulina interrompe o consumo das reservas corporais de gordura ao sinalizar que calorias de rápida absorção estão sendo ingeridas.

O mecanismo funciona assim:
  • O carboidrato de um simples biscoitinho comunica ao organismo o início de uma refeição calórica (o aparelho digestivo não sabe que vem só um biscoitinho)
  • O pâncreas produz insulina que consome glicose, consome mais do que o biscoitinho produz;
  • A insulina impede a queima de gorduras que poderia repor a glicose consumida;
  • Cai a taxa de glicose no sangue;
  • A pessoa sente (mais) fome para ingerir calorias e restaurar o nível normal de glicose;
  • Com (mais) fome, provavelmente, comerá e engordará.

O que eu fiquei sabendo na edição de setembro da Scientific American (pag. 26, nota nº 3) é que os adoçantes artificiais enganam o organismo a ponto de disparar o mecanismo de produção de insulina.

Portanto, enquanto pensa tapear a fome com produtos “diet” ou “zero” você, na realidade, põe mais lenha na fogueira do apetite. E, se não conseguir resistir a todo esse apetite, engordará.

Foto: © Sarah2 | Dreamstime.com
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quarta-feira, 31 de julho de 2013

ATÉ PARECE QUE O PAPA LÊ MEU BLOG!

Historicamente, o casamento tinha o objetivo precípuo de criar filhos.

Por falta de terminologia específica, outras uniões também são denominadas casamento (coloquialmente e legalmente). No entanto, no sentido tradicional estrito, a relação de casais que não querem filhos ou que ainda não sabem se os querem não seria casamento, por mais amor e compromisso que haja.

Ter ou não filhos é questão que a mulher costuma deixar para depois dos 30 anos de idade e o homem, para mais tarde ainda. O que nos leva a crer que a maioria dos jovens não se une com o objetivo de ter filhos.

Perguntado sobre o divórcio, o Papa Francisco, citando a opinião de um cardeal, respondeu: “... a metade dos matrimônios é nula porque as pessoas se casam sem maturidade ou porque socialmente devem se casar. A questão da anulação do casamento deve ser revisada.” (1)

O que se vislumbra nessa resposta é que, de alguma forma ainda a ser definida, a Igreja Católica pretende resgatar o sentido original do casamento, como expus acima (e propusera em 2009(2)). Em decorrência, a união sacramental dos casais que se separam sem filhos seria anulada pela Igreja porque o casamento não teria se consumado. O católico assim divorciado estaria livre para futuro casamento religioso. Todavia, seguindo na mesma linha de raciocínio, nada mudaria para os casais com filhos.

(1) Jornal O Globo, edição de ontem, página 8.
Ilustração: © Daniel Ghioldi | Dreamstime.com

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sábado, 29 de junho de 2013

DILMA NÃO ENTENDE AS MANIFESTAÇÕES

O ex-presidente Lula não via, ou fingia não ver, os desvios cometidos em seu governo.  Por sua vez, a presidente Dilma não entende, ou finge não entender, as manifestações de rua.

Em maio do ano passado, comentei que “o progresso tecnológico, socialmente, está nos convidando a regredir para o aldeamento.” (http://datrabalhoserfeliz.blogspot.com.br/2012/05/aldeias-virtuais.html) O que alertei especificamente quanto às liberdades individuais, manifesta-se agora quanto à licenciosidade governamental.

Nas aldeias os costumes são menos liberais do que nas cidades grandes porque ninguém quer se arriscar a cair na boca do povo: comerciante com fama de desonesto não faz mais negócio, moça falada não arranja marido e assim por diante. As mídias sociais vieram possibilitar que pessoas apartadas pelo gigantismo dos conglomerados humanos conversem e fofoquem como se fossem vizinhos de porta.

Em resumo, as manifestações de rua atuais acontecem porque o comportamento do governo brasileiro caiu na boca do povo. Quando partidos de oposição e a imprensa apontam os malfeitos do governo, as pessoas fazem piada, comentam, mas não se envolvem, pois é briga de cachorro grande. Mas o que cai nas mídias sociais é conversa entre amigos, entre iguais, causa indignação.

São muitas reclamações, mas o sentimento comum é o de que os políticos se interessem mais pelo jogo de poder do que pelo bem estar do povo, por isso os manifestantes impediram a adesão dos partidos ao movimento. A reforma política pode ser necessária, mas não é o que está sendo reivindicado.

No Brasil, o problema de representatividade não está no governo, que é legítimo e foi democraticamente eleito, está nas organizações civis.  Sindicatos, uniões de estudantes, ONG, etc. deveriam ser oposicionistas, pois têm a função de se opor à situação sempre que seus representados se sintam desatendidos. E foram oposicionistas até que os últimos governos os cooptaram com verbas públicas. Não é preciso ser analista político para por em dúvida a autonomia de órgãos de representação de classe que dependam de dinheiro público para subsistir.

Sem meios institucionais para reclamar organizadamente do governo, restou à insatisfação popular o boca-a-boca (nas redes sociais) que cresceu até extravasar para as ruas como ocorria nas aldeias primitivas.

O movimento pode vir a se esvaziar pelo cansaço. Mas se tal não ocorrer, não haverá como atender a tantas e tão variadas demandas no curto prazo. Talvez, a melhor resposta da classe política ao movimento seja demonstrar de forma inequívoca a disposição de se sacrificar pelo povo. Por exemplo, se a presidente Dilma reduzisse à metade seu ministério, a população reconheceria imediatamente seu sacrifício político pelo bem do povo, ao contrário do que aconteceu quando ela propôs um plebiscito para... fazer uma Constituinte para... mudar a Constituição para... reformar o sistema político para... um dia, se der tudo certo, haver melhora.

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sexta-feira, 31 de maio de 2013

TER OU NÃO TER, EIS A QUESTÃO

A Revista Veja desta semana destaca em reportagem de capa as mulheres que dizem não à maternidade, o que denomina de uma revolução que está mudando a cara do Brasil e do mundo. Inclui depoimentos de mulheres com notório sucesso profissional que não relatam qualquer dúvida ou desconforto com a opção de não ter filhos, somente a incompreensão alheia as apoquenta.

A ciência nos diz que o prazer é um estímulo biológico aos atos imediatos de preservação da espécie, não é por acaso que se alimentar e fazer sexo são prazerosos. No livro que da nome ao blog levantei a hipótese de que a felicidade pudesse ser um estímulo para atos de preservação da espécie de mais longo prazo, não seria por acaso que filhos, que dão trabalho, preocupação e despesas, sejam apontados pelos pais como fontes de felicidade.

Ficam as perguntas: A hipótese que levantei é equivocada? Será que as mulheres que abdicaram da maternidade, para se reafirmarem, relatam apenas o lado bom da opção? Ou falta sinceridade aos casais com filhos? Parece-me contraditório, no mínimo paradoxal, que todos estejam certos.

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domingo, 12 de maio de 2013

SEXO SEM EMPREGADA DOMÉSTICA

Com o aumento do custo do emprego doméstico no Brasil, muitas famílias de classe média estão tendo que dispensar seus empregados.  Frequentemente é a esposa que assume as tarefas tradicionalmente femininas ─ limpar, passar, cozinhar e cuidar das crianças ─ enquanto o marido se limita a fazer pequenos consertos e atender eventualidades. Outras vezes, o homem e a mulher dividem mais igualitariamente as tarefas do lar.

Nos Estados Unidos, onde esse fenômeno ocorreu há mais tempo, já se pesquisou sobre suas consequências. Vejamos uma:

Estudo com 4.500 casais americanos revelou que a frequência de relações sexuais do casal diminui quando o marido assume parte das tarefas domésticas tradicionalmente femininas. Nos casos extremos, a frequência cai mais de 30% quando ele executa a totalidade dessas tarefas e fica acima da média quando fica completamente fora delas.

Você que já estava decido a dispensar sua empregada doméstica, agora, vai refletir melhor?

Fonte: Scientific American, abril de 2013, Of Lust and Lysol, pag. 10.
Foto: © Aniram | Dreamstime.com
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quarta-feira, 24 de abril de 2013

JUSTIÇA OU VINGANÇA? - II

Menos de 15 horas após publicar a última postagem fui ao cinema com a família ver Chamada de Emergência com a Halle Berry. É bom entretenimento, sem ser um grande filme. Não vou entrar em detalhes para não estragar o suspense de quem for assistir, mas a história ilustra lindamente o quanto a vingança é percebida como mais justa que a Justiça. A plateia sai de alma lavada!

Ilustração: © Civaliv | Dreamstime.com

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terça-feira, 23 de abril de 2013

JUSTIÇA OU VINGANÇA?

O mais primitivo senso de justiça é a vingança: quem faz o mal deve sofrer para que não reincida e para que sua punição desestimule o próximo a se portar mal.

O sentimento de vingança é legítimo para a vítima e para os que a amam, mas não para o Estado civilizado. No entanto, a Justiça ainda guarda muito de vingança.

A sociedade brasileira é reconhecidamente negligente com a segurança. Aqui no Rio de Janeiro onde a Operação Lei Seca é feita à noite, no almoço, as pessoas bebem e saem dirigindo como sempre fizeram e na revista Veja desta semana, pag. 106, um executivo chinês comenta sobre o Brasil: O ambiente de trabalho e a qualidade de vida são melhores que na China. O único ponto fraco é a segurança.

Nos dias seguintes à tragédia de Santa Maria, a onda fiscalizatória que varreu o Brasil flagrou centenas de estabelecimentos públicos e privados cometendo negligências semelhantes às investigadas no sul. E por que os responsáveis por esses outros fatos provavelmente não serão julgados pelo risco de matar que assumiram? Porque não houve o acaso que transforma o risco em tragédia.

A condenação “exemplar” dos responsáveis pelo ocorrido conforta os familiares, os amigos das vítimas e o público em geral, mas é ineficaz. Eficaz seria condenar o risco de matar, antes que as mortes acontecessem.

Pelas notícias da imprensa, parece-me que a tragédia na boate Kiss se deu muito mais pela falta de cultura de segurança do brasileiro do que por dolo.  Os empresários haviam reformado a boate para aumentar o conforto do público, o que leva a crer que não foi por economia que deixaram de atender normas de segurança. E a banda Gurizada Fandangueira não era uma Rolling Stones milionária que por ganância comprou fogos mais baratos inapropriados para o uso em ambientes fechados. Eram trabalhadores humildes que às vezes cantavam a noite por, se não me falha a memória, cachês de 80 reais. Economizaram nos fogos porque eram pobres e tinham o hábito de economizar.

O sentimento humano de vingança exige punição proporcional ao dano, embora, para combater a causa e não o efeito, seja mais eficaz punir em função do risco de dano assumido. O que, de tão incomum, chega a ser bizarro:

Suponha que um indivíduo dispare um sinalizador náutico num estádio de futebol que passe a centímetros da cabeça de um torcedor sem outra consequência que o susto. Agora suponha que alguém faça o mesmo, mas que, por azar, o projétil atinja a cabeça do torcedor, matando-o. São comportamentos iguais produzindo resultados diferentes. Uma Justiça que punisse em função do risco de dano assumido teria que aplicar a mesma pena aos dois fogueteiros.

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quarta-feira, 3 de abril de 2013

A DISCRIMINAÇÃO COMEÇA NO BERÇO


A mulher, assim como outras fêmeas mamíferas, produz um leite muito mais rico em nutrientes quando gera um filho do que quando tem uma filha.

Por que a mãe cometeria semelhante injustiça com suas meninas? As razões são evolutivas:

·         Na Pré-História, enquanto se desenvolvia a espécie humana, a comida era escassa. Ao amamentar, a mãe doava uma parte importante de suas gorduras e proteínas para a criança pondo em risco a própria sobrevivência.

·         Nos humanos ancestrais, como é comum no mundo animal, existia a figura do macho-alfa, o macho mais forte do bando que garante para si exclusividade sexual sobre as fêmeas.

·         Quando a mulher tem um filho homem, sua natureza biológica “sabe” (por seleção natural) que para ele gerar descendência terá de ser macho-alfa. Para tal, ela não pode medir sacrifícios.

·         Já quando espera uma menina, sua natureza “sabe” que basta a filha sobreviver para que possa se reproduzir. Por que se exaurir produzindo leite “tipo A” se o “C” é suficiente?

Fonte: Revista Scientific American, dezembro de 2012, pag. 13.
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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

O SEXO EM TEMPO DE INTERNET

A revista Veja desta semana traz como matéria de capa a “revolução sexual e comportamental promovida pela internet” onde destaca o “Bang with Friends” uma nova aplicação para o Facebook em que as pessoas podem marcar, em segredo, os amigos com os quais gostariam de ir para a cama. Toda vez que houver interesse recíproco, o programa avisa às duas pessoas por e-mail. Assim, a futura abordagem se dá sem medo de rejeição.

É interessante notar que, apesar da tecnologia, a sexualidade humana continua obedecendo a raízes evolutivas ancestrais: como na espécie humana o encargo reprodutivo da mulher é maior, seu desejo sexual é despertado principalmente por homens que demonstrem aptidão para permanecer ao seu lado e ajudá-la a criar possíveis filhos; ao homem, para quem é mais fácil se eximir das responsabilidades paternas, interessa tanto a mulher com quem queira constituir família quanto aquela com quem deseje apenas prazer momentâneo. Por isso, a mulher costuma ser sexualmente mais seletiva que o homem.

Na reportagem da revista, relata-se o caso de dois jovens ─ amigos de Facebook que não se conheciam pessoalmente ─ que hoje estão namorando graças ao pontapé inicial do “Bang with Friends”: o rapaz marcou 800 amigas e a moça escolheu apenas sete candidatos. Ela também tinha centenas de amigos-virtuais, mas, conforme prevê a teoria darwinista, fez uma seleção bem mais criteriosa.

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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

CAMPEÃO POR ACASO?

A importância do acaso é frequentemente subestimada porque nos sentimos mais seguros com causas e efeitos do que com possibilidades e probabilidades. Por exemplo, é reconfortante pensar que nossa qualidade de vida e longevidade dependam dos cuidados que tomamos com a saúde e perturbador imaginar que o inesperado possa ocorrer a despeito de nossos esforços.

Vamos ao assunto do momento: Corinthians campeão do mundo! Assisti ao jogo, torci pelo Corinthians e considero sua vitória importantíssima, não apenas pela alegria que deu a sua torcida como pela valorização do futebol brasileiro.

O Corinthians tem inegáveis qualidades, mas o acaso foi essencial para a conquista do título. O único gol da partida resultou de um acidente de percurso. A bola chutada resvalou num adversário e, sem rumo, acabou ficando sob medida para o centroavante corintiano. Se tivesse subido mais 20 cm ele não a alcançaria, se tivesse espirrado mais para a esquerda seria rechaçada por um dos três defensores do Chelsea que lá estavam.

Durante a partida o time inglês teve mais chances de gol e teria vencido se fosse ele o eleito pelo acaso e não o Corinthians. Aí, os analistas estariam explicando a derrota da mesma forma que explicam a vitória, elencando causas e efeitos, como dois e dois são quatro.

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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

PRESIDENTES “ANIMAIS”


Dentre as bestas selvagens existe a figura do macho-alfa, animal que domina seu grupo e ao qual nenhuma fêmea resiste.

Nós humanos implantamos a monogamia legal para evitar que os mais poderosos tenham haréns e os humildes sejam impedidos de se reproduzir. No entanto, uma única mulher parece ser pouco também para poderosos modernos como presidentes da república.

Recentemente, surgiu na imprensa essa tal de Rosemary, chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo que, segundo a revista Época, se identificava como “namorada” do presidente Lula. Não sabemos se ela fazia jus à alcunha que se atribuía, mas muita gente devia acreditar, pois o posto de chefe de escritório regional não justificaria o poder que se descobriu que ela exercia. O certo é que para um operário chegar a Presidência da República, há que ser macho-alfa!

O presidente Fernando Henrique, segundo a imprensa, teve um relacionamento amoroso com a jornalista Mirian Dutra da TV Globo quando ainda era senador. Para um intelectual como Fernando Henrique bater todos os competidores e chegar a Presidência da República, há que ser macho-alfa!

A empresária Myrian Abicair acaba de assumir publicamente o romance que teve com o presidente Figueiredo há trinta anos. Para ser ditador do Brasil, impondo-se à força, sem a legitimidade do voto popular, há que ser macho-alfa!

Do presidente Juscelino Kubitschek diz-se que era mulherengo, que teve vários casos de amor, sendo o mais notório com a socialite carioca Maria Lúcia Pedroso, por quem teria sido apaixonado. Para construir a espetaculosa Brasília em meio ao “nada” que era, então, o centro-oeste brasileiro, há que ser macho-alfa!

O presidente Getúlio Vargas foi, durante 15 anos, amante de Virgínia Lane, segundo ela própria. Para um baixinho barrigudinho conquistar a “vedete do Brasil”, há que ser macho-alfa!

Trata-se de um fenômeno mundial: para citar apenas casos recentes e bem conhecidos, Bill Clinton seduziu uma estagiária e quase perdeu o mandato presidencial e Strauss-Kahn, então pré-candidato favorito, perdeu a chance de tornar-se presidente da França ─ François Hollande que o substituiu foi eleito ─ porque se envolveu com uma camareira de hotel.

Ou seja, homens inteligentes e espertos, que sabem o estrago que um escândalo sexual pode lhes causar, não resistem a seus instintos animais.

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sábado, 17 de novembro de 2012

HISTERIA, O FILME


O fato que reportei neste blog em 2009 originou o filme Histeria, que está em cartaz. Ainda não vi o filme, não sei se é bom, mas a história original é interessante. Confira: http://www.datrabalhoserfeliz.blogspot.com.br/2009/11/historia-uso-sexual-do-vibrador_15.html

Foto: © Bowie15 | Dreamstime.com
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O MINISTRO PREFERE A MORTE

Recentemente, o Ministro da Justiça admitiu que os presos brasileiros são mantidos em condições desumanas, textualmente, disse: "Entre passar anos num presídio brasileiro e perder a vida, eu talvez preferisse perder a vida", "Temos um sistema prisional medieval, que não só desrespeita os direitos humanos como também não possibilita a reinserção"(*). A fala do ministro renova a atualidade de reflexões que, há mais de um ano, postei neste blog: http://www.datrabalhoserfeliz.blogspot.com.br/2011/09/vinganca-e-justica.html

Foto: © Kmiragaya | Dreamstime.com
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terça-feira, 6 de novembro de 2012

O "PLANO B" DO AMOR

O amor é essencial à felicidade humana, mas dá trabalho.

Muitos casais optam por não ter filhos. Filhos dão trabalho. Antigamente, eram submissos e, quando saiam da linha, uma boa sova os endireitava. Hoje, dão ainda mais trabalho. Principalmente porque a molecada, informada pela internet, se julga mais sabida que os adultos. E o consumo de drogas banalizou-se, ninguém está livre de ter filhos drogados flertando com a tragédia.

Ficou difícil até para os casais se formarem. Homens e mulheres não se entendem mais. Cada gênero sempre teve seu modo peculiar de pensar, sentir e desejar. Porém, outrora, a mulher se sujeitava às vontades do homem. Com o pensamento contemporâneo, o homem perdeu o ímpeto de dominar e a mulher passou a considerar a submissão humilhante. Todavia, a natureza humana não mudou, o homem continua desejando dominar e a mulher ser dominada. Como isso se tornou culturalmente inaceitável, diminuiu o entusiasmo de parte a parte (veja uma proposta de solução na postagem abaixo).

Atualmente, quem substitui o amor da companhia estável que o solitário desistiu de procurar? Quem supri o afeto dos filhos que o casal abdicou de ter? E para quem vive em família, quem complementa a atenção de que se julga merecedor e se cansou de reivindicar? O cachorro.

Saia justa verídica: Meu amor, comprei vários presentinhos para você! Gritou a mulher, ao entrar em casa, para o cão que vinha recebê-la. Oba, quero ver! Respondeu o marido no cômodo ao lado.

Foto: © Crazy80frog | Dreamstime.com

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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

50 TONS DE CINZA


Como explicar o sucesso estrondoso do livro? Vi uma opinião interessante da terapeuta Regina Favre no programa Metrópolis da tevê Cultura de São Paulo (assista pelo link abaixo) que poderíamos resumir assim:

Até a década de 1960, a grande meta da mulher era encontrar e reter um homem que a protegesse (e a quem ela ficava submissa). Depois da liberação feminina, a mulher ainda não encontrou um novo modelo de realização pessoal. O modelo de liberdade total que Amy Winehouse simbolizou é assustador, pois juntamente com a fama e a fortuna vem o risco de morte.

O sucesso do livro, segundo a terapeuta com 35 anos de experiência clínica com mulheres, deve-se à proposição de um novo modelo de realização pessoal feminino: independência na vida pública (no trabalho, etc) e submissão, por um homem que valha à pena, entre quatro paredes.

No reino animal, o sexo mais forte fisicamente sempre predomina sobre o mais fraco, assim, é da natureza do homem dominar e da mulher submeter-se. A conquista da independência feminina, como efeito colateral, subtraiu das mulheres poder de reter os homens (apenas levá-los para cama é bem mais fácil). 50 Tons de Cinza sugere uma alternativa que, ao ser tão bem recebida pelo público feminino, reafirmaria o que muitas mulheres têm dificuldade de aceitar: que não são somente eles que gostam de dominar, elas também gostam, e muito, de ser dominadas.


Foto: © Canaris | Dreamstime.com

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