terça-feira, 2 de agosto de 2011

É BOM POUPAR ÁGUA?

© Andrei Abrosimov | Dreamstime.com
Quando o ambiente muda, espécies mais bem adaptadas à nova realidade proliferam-se enquanto outras sucumbem. É a seleção natural.

A espécie humana suportou bem as mudanças em seu habitat provocadas por 1, 2, 3, 4, 5, 6 bilhões de pessoas. Suportou ainda o padrão de vida devorador de recursos naturais e poluidor de 800 milhões de europeus e americanos. Mas, suportará mais 2,8 bilhões de habitantes dos BRICS ― Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul ― cujo estilo de vida ameaça aproximar-se rapidamente do padrão dos países desenvolvidos?

A espécie humana corre grave risco e os ecologistas nem sempre agem com inteligência.

Por exemplo, a água potável é um bem abundante e renovável em nosso país. E o governo veicula uma campanha na tevê incitando o cidadão a fazer pipi no banho para economizar água. Ridículo, o país todo tem fartura de água, a exceção, talvez, do semi-árido nordestino. Imagine o ribeirinho, às margens do Amazonas, assistindo a propaganda.

A solução é não poluir. É preciso suprir a população de saneamento básico (para que o esgoto in natura não contamine a água potável de lençóis freáticos, rios e lagos), o que requer competência; coibir as construções populares nas encostas de morros e margens dos rios, o que é impopular e custa votos; impedir as empresas de lançarem resíduos químicos sem tratamento na natureza, o que exige empenho; etc.

Poupando água você economiza uns trocados ao final do mês e só. Mas não contribui em nada para as futuras gerações.

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domingo, 24 de julho de 2011

DA PRÉ-HISTÓRIA AO FUTEBOL E AO PT

Em sua origem, o homo sapiens subsistia da coleta e da caça. Cada bando humano precisava de uma área extensa para sobreviver, pois a maioria das folhas não nos era comestível e os animais nos escapavam ― porque nosso estômago não digere celulose e, como predadores, somos lentos e fracos.

Quando a comida local escasseava, a tribo precisava invadir áreas vizinhas que, eventualmente, pertenciam ao domínio de outro bando. Guerreavam. Embora somente os guerreiros lutassem, o restante da comunidade ficava na maior torcida porque o resultado afetava todos. Guerreiros e torcida vencedores gozariam a fartura do território aumentado e a tribo derrotada seria exterminada ou escravizada, inclusive aqueles que não participavam diretamente da luta, como velhos, mulheres e crianças.

É esse instinto primitivo que governa a paixão do torcedor por um clube de futebol, paixão que pode levá-lo ao desatino e a violência, embora, hoje, sua sobrevivência já não seja mais ameaçada pela sorte do time que o representa.

Assim como não é permitido ao animal mudar de bando, nem ao selvagem mudar de tribo a seu bel prazer, é vergonhoso mudar de time. O torcedor faz a escolha na juventude e permanece fiel por toda vida. Depois, se o clube for pessimamente administrado, se jogar mal e perder mais do que ganhar, a paixão se encarregará de fazê-lo ver qualidade onde abundam os defeitos. E, quando a coisa for muito mal, atribuir a culpa aos outros, ao árbitro, por exemplo.

No pais do futebol, essa paixão chegou à política. O PT cresceu seduzindo a juventude pregando um socialismo ideal que, com vontade política e honestidade, daria igualdade material e poder aos excluídos. Décadas fora do governo, sem que seu discurso pudesse ser confrontado pela realidade, deram ao partido uma das maiores torcidas do Brasil, talvez até mais numerosa e apaixonada que a do Flamengo.

Todo partido tem seus simpatizantes, mas apenas o PT conseguiu angariar uma massa significativa de torcedores. Tenho amigos que são PT “doentes”. O amor deles pelo partido não diminue com o insucesso de políticas públicas, nem quando surgem suspeitas de corrupção e enriquecimento ilícito de dirigentes e familiares. É paixão típica de torcedor.

Estou convicto de que, se o campeão brasileiro de futebol fosse escolhido democraticamente, em turno único, o Flamengo seria campeão todos os anos. E, se esta análise estiver correta, faça bom ou mal governo, é provável ― não é "certo" porque as eleições majoritárias são em dois turnos ― que o PT permaneça muito tempo no poder.

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segunda-feira, 4 de julho de 2011

REVIRAVOLTA NO CASO STRAUSS-KAHN

Dia 1º de junho p.p. comentei que o diretor-gerente do FMI ex-deputado, ex-ministro de estado e apontado como favorito nas próximas eleições presidenciais da França havia sido preso acusado de tentar estuprar uma camareira de hotel. Comentei que era difícil acreditar que ele fosse um psicopata descoberto somente aos 62 anos depois de construir impressionante currículo. E questionei o que levaria um homem a arriscar tanto por tão pouco.

Após as primeiras investigações, o caso deu uma reviravolta. Agora, ao que parece, trata-se de uma garota de programa que, ao perceber a extraordinária importância de seu cliente resolveu travestir a relação consentida em estupro ambicionando indenização milionária. Porém, a questão continua válida: O que levaria um candidato à presidência da França, até então favorito, arriscar-se ao escândalo em troca de sexo?

E a resposta dada também continua válida: É que o ser humano é mais animal e menos racional do que admite. Embora a futura presidência da república seja um imenso atrativo para a ambição humana, o sexo imediato foi um atrativo maior para o “macho-alfa” Dominique Strauss-Kahn.

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