domingo, 27 de dezembro de 2009

KOPENHAGUE 2: A LEI DO MAIS FORTE

A civilização busca revogar a lei do mais forte em favor da justiça. Mas não é fácil, adultos continuam abusando de crianças, homens de mulheres, nações mais fortes das mais fracas.

O que seria justo em termos de clima contraria a lei do mais forte. O lógico: Se as emissões de carbono ameaçam a sobrevivência da espécie humana vamos reduzi-las a um nível sustentável. O justo: calcula-se a quantidade máxima de carbono que cada habitante poderia produzir por ano e estipula-se um período para que as nações se adéquem.

Os Estados Unidos e a Europa ocidental teriam de reduzir drasticamente suas emissões − e PIB, vide postagem anterior −, enquanto as nações de menor desenvolvimento ainda poderiam aumentar as suas até alcançarem o limite sustentável. Se, por exemplo, o nível sustentável fosse calculado em 2 toneladas/ano per capita, o Brasil poderia aumentar suas emissões em 20% enquanto os Estados Unidos deveriam reduzi-las a 1/10 do nível atual.

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sábado, 19 de dezembro de 2009

COPENHAGUE: SÍMPLES E DIFÍCIL

Líderes do mundo todo estão em Copenhague discutindo soluções para o clima. Um problema simples de entender e difícil de resolver.

SIMPLES DE ENTENDER
É uma questão de seleção natural darwinista: mudanças no ambiente afetam os seres vivos. Numa dessas, os poderosos dinossauros foram extintos. Os cientistas temem que as emissões de CO2 estejam contribuindo para o aquecimento global, o que, dentre outros problemas, vai diminuir a disponibilidade de água potável e prejudicar agricultura e pecuária, ameaçando a sobrevivência da espécie humana.

Respirar, criar animais, usar veículos a motor... Tudo produz CO2. Quanto mais urbana e sofisticada é a vida, maior é a produção do gás. Um camponês que vive de agropecuária de subsistência gera cerca de 26 Kg de CO2 por ano enquanto um americano gera 19 toneladas, 730 vezes mais. O progresso atual faz bilhões de chineses, indianos, etc deixarem de produzir quilos de CO2 para produzirem toneladas (o Brasil já produz 1,6 tonelada per capita).

DIFÍCIL DE RESOLVER
A ONU já fez um diagnóstico preciso: “o crescimento do PIB per capta e da população foram os principais determinantes do aumento das emissões globais durante as últimas três décadas do século XX”. Como, historicamente, o progresso derruba drasticamente os índices de natalidade, a questão populacional tende a resolver-se espontaneamente. O problema é o aumento do PIB.

Em síntese, o que produz CO2 é o progresso. Em Copenhague, os países desenvolvidos querem impor limitações à produção de CO2 dos subdesenvolvidos e vice-versa, o que, sem meias palavras, significa que cada um quer impor um freio ao progresso do outro. Um acordo (efetivo) é quase impossível.

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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

FINAL DE ANO DA EMPRESA

© Geotrac | Dreamstime.com
O Jornal da Globo de 2ª feira noticiou que pesquisa com 1.000 entrevistados de um site de relacionamento britânico apurou que as pessoas buscam mais do que confraternização nas festas de final de ano da empresa. A reportagem diz que são das mulheres as respostas mais “inesperadas”:

Quase 10% das mulheres disseram que aceitariam cantada até de um colega pouco atraente e 12% das mulheres casadas ficariam com o chefe se ele desse o 1º passo.

As respostas são “inesperadas” somente para quem nunca ouviu falar em psicologia evolucionista:

A posição social masculina é um atrativo maior do que a beleza física. A beleza é indicativo de saúde, mas a posição social elevada prenuncia todas as qualidades que os chefes primitivos precisavam ter para dominar seus semelhantes: saúde, força, habilidade, esperteza e, sobretudo, poder.
A mulher moderna continua preferindo os poderosos aos bonitos. Secretárias se apaixonam por chefes e alunas por professores porque eles são os “machos dominantes” de seus grupos. Em contrapartida, as mulheres ficam inseguras de namorar homens socialmente inferiores. No depoimento que encerra este livro, uma moça de elevado estrato social se encanta por um rapaz “...alto, bonito, figura agradável e interessante... danado de inteligente, charmoso, carinhoso, tímido e atencioso...”, mas fica insegura de namorá-lo porque ele “...não era rico nem vinha de uma família tradicional”.*

* Dá trabalho ser feliz, mas vale a pena. Pág. 65.

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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

GATOS: POR QUE OS AMAMOS?

Artigo da revista Veja desta semana diz que “é difícil resistir aos encantos dos gatos” ao vivo ou no YouTube, onde suas gracinhas são campeãs de audiência. “Com olhos grandes e puxados, cara pequena, focinho achatado e corpo macio, eles se encaixam num conjunto de características chamado de ‘esquema bebê’ pelo biólogo austríaco e prêmio Nobel Konrad Lorenz, que nos anos 40 traçou e explicou pela primeira vez a semelhança. O ‘fator fofura’, como é chamado, é formado por um conjunto de feições que lembram as de um bebê e que, por ditames autoexplicativos da sobrevivência da espécie, apareça onde aparecer, sempre desperta nos humanos imediata sensação de afeto e impulsos protetores.”

O artigo não explica porque os gatos caseiros teriam essa característica. A espécie foi a única que escolheu conviver com os humanos, em vez de ser escolhida. Todas as demais foram domesticadas por alguma utilidade ― cães de caça ou guarda, gado de leite ou corte, etc ―, apenas os gatos se chegaram e, os que apresentavam o “fator fofura” foram aceitos tornando-se espécies caseiras. Mas o encontro de gatos e humanos eu já contei aqui em http://datrabalhoserfeliz.blogspot.com/2009/07/gatos-como-e-por-que.html

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sábado, 12 de dezembro de 2009

GUERRA DOS SEXOS

Cada célula nossa tem 23 pares de cromossomos. Em cada par, um é herdado do pai, outro da mãe. Basicamente, os genes funcionam em pares materno-paterno. Somariam forças? O mecanismo ainda não é completamente entendido pela ciência, mas já se sabe que a guerra dos sexos começa aí. Alguns genes são marcados* para permanecerem inativos pela mãe e outros pelo pai de acordo com a conveniência de cada sexo.

Pela lógica da seleção natural, nossos ancestrais desenvolveram comportamentos para passar o máximo de seus genes para as futuras gerações. Homens e mulheres querem reproduzir com vários parceiros: elas procuram uma diversificação mais qualitativa, devido ao enorme investimento que cada filho lhes exige; eles, mais quantitativa, por razões opostas.

Como a paternidade é incerta, é do interesse evolucionário masculino gerar uma criança que consuma o máximo de recursos da mãe, em detrimento de irmãos que podem ser filhos de rivais. Como a maternidade é certa, é do interesse da mãe que nenhum filho a exija a ponto de prejudicar a chance de sobrevivência dos outros.

Pesquisas indicam a marcação genética como um instrumento desse conflito: mães tornam inoperantes os genes que promovem crescimento ou comportamento demandante nos filhos e pais, os genes que freiam essas funções. Portanto, herda-se o apetite do pai e a resistência à gula da mãe. Uma feminista diria: se você for gordo, é culpa do pai; se for magro, é mérito da mãe.

(*) marcados por uma molécula extra.


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sábado, 5 de dezembro de 2009

ENVELHECIMENTO

© Absolut_photos | Dreamstime.com
O envelhecimento é o acúmulo aleatório de dano aos alicerces da vida ― especialmente o DNA, certas proteínas, carboidratos e lipídios (gordura) ― que eventualmente excede a capacidade de regeneração do organismo. Esse dano continuado provoca sintomas como a perda da elasticidade da pele, decréscimo de massa muscular e óssea, declínio do tempo de reação, comprometimento da audição e visão e aumento da vulnerabilidade à doença.

Não existe gene projetado para tornar a vida finita. O envelhecimento é, simplesmente, um descaso da natureza. Os genes se perpetuam transformando um óvulo fertilizado em um adulto sexualmente maduro que produz uma cria. Qualquer variante genética que comprometa esse processo é eliminada pela seleção natural. Mas a evolução é totalmente cega às consequências da ação do gene (seja boa, ruim ou neutra) depois que a reprodução é alcançada. Os genes são selecionados por sua função no ciclo reprodutor, o que vem depois é apenas efeito colateral. Por exemplo, genes essenciais ao crescimento infantil contribuem para o surgimento do câncer na velhice.

Os esforços para encontrar elixires da longa vida vêm, no mínimo, de 3.500 A.C. A última moda são os antioxidantes que eliminam radicais livres. Embora o consumo de alimentos ricos em vitaminas E e C reduzam o risco de doenças degenerativas, ainda não há evidência cientifica do benefício dos suplementos antioxidantes. Ademais, por participarem de nossas reações bioquímicas, os radicais livres são essenciais à vida, se nos faltarem, morreremos.

Os cientistas são categóricos ao afirmar que nenhum tratamento atualmente comercializado ― nenhum ― provou retardar, parar ou reverter o envelhecimento humano. Alguns são até prejudiciais à saúde.

Certamente, as pessoas vivem mais hoje que outrora. Mas não é que a ciência tenha obtido qualquer vitória contra o envelhecimento e sim porque sistemas sanitários, vacinas, antibióticos, etc evitam a mortalidade prematura. Antigamente morria-se antes de envelhecer.


Devido à possibilidade inédita no campeonato brasileiro de futebol de duas grandes torcidas se frustrarem simultaneamente na mesma cidade, reeditamos abaixo a postagem “Violência no Futebol” de 15/06/2009.

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FINAL DO CAMPEONATO BRASILEIRO (reedição de “Violência no Futebol”)

Amanhã é a tão aguardada última rodada do campeonato brasileiro de futebol que vai apontar o campeão e os rebaixados para série B. O Rio de Janeiro está particularmente mobilizado, pois o Flamengo será campeão se vencer no Maracanã e o Botafogo será rebaixado se perder no Engenhão.

Um esquema especial de segurança será armado para controlar a violência em caso de frustração de uma ou das duas torcidas. É um bom momento para perguntarmos:

Não é espantoso que um jogo de futebol possa levar multidões ao delírio ou à depressão, causar brigas e até mortes entre torcedores que nada têm a ganhar ou perder, mas que se emocionam como se suas vidas dependessem daquela disputa?

A resposta mais uma vez está na formação de nossos instintos de preservação da espécie, na pré-história, época em que precisávamos de grandes extensões de terra para caçar e coletar. Quando o alimento se tornava escasso numa região, tribos vizinhas guerreavam pela sobrevivência, cada qual cobiçando anexar o território alheio. Somente os guerreiros se enfrentavam, mas o destino da tribo era único: expulsão ou morte na derrota; mais terras e alimentos na vitória.

Essa situação se reproduz nas modernas competições esportivas: somente os jogadores profissionais se enfrentam, mas as respectivas torcidas se sentem comprometidas com o resultado. Até a nomenclatura é a mesma; se antes tínhamos as nações indígenas, hoje temos as “nações” flamenguista, corintiana, etc.

Quando ocorre violência nos estádios, os jornais costumam dizer que os torcedores se portaram “como selvagens”. Existe uma verdade profunda nessa aparente figura de linguagem. Em dias de jogo, ser torcedor de um time é pertencer a uma tribo em guerra. Instintivamente, o sujeito se sente sob ameaça de morte, tomado por forte tensão emocional. Se por um lado esse estado de ânimo faz o esporte ser tão eletrizante, por outro leva o torcedor às raias da violência. E para agravar o quadro, essa conjunção atrai índoles agressivas interessadas em utilizar o ambiente excitado como estímulo e pretexto para o vandalismo.

Em itálico, reprodução das páginas 169 e 170 de “Dá trabalho ser feliz, mas vale a pena”.

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sábado, 28 de novembro de 2009

FILHO DE EINSTEIN E MARILYN MONROE

Conta uma conhecida anedota que Marilyn Monroe teria proposto ao Einstein fazerem um filho que nasceria com a beleza dela e a inteligência dele. E que o cientista questionara: e se nascer com a minha “beleza” e sua “inteligência”?

Ainda bem que não tiveram esse filho. Não sei quanto à beleza, mas, provavelmente, nasceria com a inteligência da Marilyn: o cérebro típico é resultado de contribuições assimétricas do pai e da mãe. As funções cognitivas mais elevadas parecem ser desproporcionalmente controladas pelos genes da mãe, enquanto o apetite por comida e sexo é influenciado pelos genes do pai.*


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domingo, 22 de novembro de 2009

CASAMENTO OU NAMORO, COMO SABER?

© Nikolay Mamluke | Dreamstime.com
Antigamente era fácil: casou no civil e religioso, estava casado; não casou, não estava. Hoje, tem quem casa (de papel passado) e separa e quem nunca se casa e vive junto até que a morte o separe. Tem casal que coabita e se diz namorado e que mora separado e se diz casado.

Uma solução poderia ser a dos racistas brasileiros que, na impossibilidade de definir cientificamente raça, resolveram considerar branco ou preto quem assim se declarar: quem se dissesse casado estaria casado, quem se dissesse namorado seria namorado. Simples, não?

Ao menos na segregação racial, o critério não vem dando certo, você se lembra: dois irmãos gêmeos idênticos declararam-se pretos para se beneficiarem da discriminação racial, um foi considerado verdadeiramente preto, o outro, apenas um branco mentiroso.

Vejamos a questão do casamento através do darwinismo. Na natureza, machos e fêmeas se unem para preservar a espécie. O ser humano contemporâneo é exceção, acasala-se para ter filhos ou exclusivamente por prazer. Minha proposta é simples: os casais que têm filhos são casados, os outros não. Assim, o casal que namora e tem filhos é casado, o que tem filhos e já não namora foi casado, e o que namora e (ainda) não tem filhos é namorado. Independentemente do que eles ou seus documentos dizem.

E os casais que biologicamente não podem ter filhos? Se adotarem, são casados; senão, continuam namorados.

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domingo, 15 de novembro de 2009

HISTÓRIA: USO SEXUAL DO VIBRADOR

A histeria foi uma antiga doença psicológica que na década de 1920 foi diagnosticada por Freud como de origem sexual, causa que no jargão popular moderno poderíamos chamar de tesão reprimido. Os sintomas eram graves: pânico, perda do autocontrole e até paralisia, surdez ou cegueira. O que eu não sabia é que muito antes de Freud, textos médicos do Século I já prescreviam terapêutica mais eficiente que fazer digressões sobre a infância: massagear o clitóris das pacientes até o paroxismo (orgasmo). Como a terapia requeresse certa constância, os doutores costumavam repassar o procedimento para as enfermeiras. Até que, na virada do Século XVIII para o XIX, alguém teve a brilhante idéia de prescrever tratamento em casa dando uso específico a um equipamento preexistente: o vibrador. “Máquina de eletromassagem do Dr. John Butler para curar doença em casa”, dizia um anúncio da época. Foi um sucesso. Parece ter havido uma epidemia da enfermidade porque o eletrodoméstico tornou-se o 5º mais comum nas residências. Depois de comprar máquina de costura, ventilador, chaleira e torradeira elétricas, era a vez do vibrador.

Inspirado em artigo de Mara Hvistendahl para a Scientific American de Setembro de 2009.

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sábado, 7 de novembro de 2009

PLÁSTICAS NAS ARTES CÊNICAS

© Mangostock | Dreamstime.com
A teoria da evolução afirma que mulheres novas são sexualmente mais atraentes porque a natureza sabe que juventude é sinônimo de fertilidade. Para manter a aparência jovem as mulheres usam uma série de truques que culmina na cirurgia plástica.

As artistas aderiram primeiro às cirurgias plásticas, a tal ponto, que cheguei a temer que muitas histórias não pudessem mais ser representadas por falta de artistas com cara de mãe ou avó. Mas a onda da plástica se alastrou tão rapidamente que mães e avós logo ficaram com a cara das artistas, eliminando o problema. Não sei como vão fazer com os filmes de época. Já pensou, Dona Benta com a cara da Marta Suplicy?

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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

VOCÊ ENXERGA O MESMO QUE EU?

Como é nossa visão das cores? Temos três tipos de células sensíveis à cor intercaladas na retina, chamadas cones devido a seu formato: vermelho, verde e azul. Simplificando, os cones vermelhos são especializados em enxergar o componente (ondas eletromagnéticas) vermelho da luz; o cone verde, o verde; e o cone azul, o azul. Quando três diferentes cones contíguos enxergam suas cores na mesma intensidade nosso cérebro vê branco, quando os três não enxergam vê preto. Todas as outras cores são geradas por proporções diferentes de estímulo em cada tipo de cone.

Nem sempre foi assim, na época dos dinossauros, os mamíferos eram pequenos animais subterrâneos ou noturnos, com percepção monocromática da luz: tinham apenas o cone azul, produzidos por um gene que chamarei de gene azul, localizado em um cromossomo não sexual. Na longa evolução até o ser humano, uma cópia deste gene migrou para o cromossomo sexual X, sofreu duplicação e alterações que originaram os genes verde e vermelho.

Assim como boas alterações produziram os genes verde e vermelho, alterações ruins criaram genes verde e vermelho defeituosos que provocam o daltonismo.

Homens herdam um cromossomo X da mãe e um Y do pai. Se o gene verde ou vermelho deste cromossomo X estiver defeituoso, ele será daltônico. Mulheres têm dois cromossomos X, um herdado da mãe e outro do pai. Têm, portanto, os genes verde e vermelho em duplicata. O daltonismo é mais raro nas mulheres porque basta um gene perfeito de cada cor para se enxergar corretamente.

Como a região do cromossomo X dos genes de percepção de cor é especialmente suscetível a alterações genéticas, é possível que exista mais de uma versão funcional para os genes verde e vermelho. Se existir, em tese, algumas mulheres podem ser até pentacromáticas (além do azul, herdarem dois genes verdes e dois vermelhos, todos diferentes).

Questão a se investigar. Pessoalmente, custo crer que tal fenótipo de supersensibilidade para cores exista e ainda não seja bem conhecido. A hipossensibilidade (o daltonismo) foi descrita no Século XVIII.

Inspirado no conto do Bugio de A Grande História da Evolução de Richard Dawkins (Ed. Companhia das Letras).

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domingo, 25 de outubro de 2009

NOVA ARMA PARA EMAGRECER

© Valua Vitaly | Dreamstime.com

Todos sabemos o quão importante é o controle de peso para a saúde e beleza. Em meu Dá trabalho ser feliz, mas vale a pena, lê-se à pag. 26:

O PYY é outro hormônio importante. Ele leva a mensagem de saciedade do aparelho digestivo ao cérebro e nos faz parar de comer. As carnes nos saciam porque são ricas em proteínas, que estimulam a produção de PYY. Num futuro próximo, vamos controlar nosso apetite com comprimidos de PYY sintético. Por enquanto, o jeito é comer gelatina diet, que é praticamente proteína pura. Meio quilo tem apenas 40 Kcal, menos do que num único biscoito cream-craker.

A previsão de que “num futuro próximo, vamos controlar nosso apetite com comprimidos de PYY sintético” está se realizando. Veja a reportagem do jornal O Globo de sexta-feira passada:

A droga, chamada liraglutida, é a primeira de uma série de remédios contra obesidade que imitam a ação de um hormônio produzido naturalmente no intestino, reduzindo o apetite.

O estudo foi conduzido com 564 adultos, com índice de massa corporal superior a 30 (obesos), tratados em 19 hospitais na Europa... Aqueles usando as doses mais elevadas de liraglutida (3 mg) perderam, em média, 7,2 quilos em 20 semanas, comparados com aqueles que perderam 2,8 quilos com placebo e 4,1 quilos com orlistat (princípio ativo do Xenical).

Os especialista ressaltam, porém, que o alto custo do remédio ― cerca de U$ 830, no mínimo, por um suprimento para seis meses ― pode limitar seu uso.

Portanto, enquanto o preço da liraglutida não baixar, continua valendo minha recomendação para consumir gelatina diet, que produz hormônio de saciedade no organismo a baixo custo.

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domingo, 18 de outubro de 2009

HOMEM-PAVÃO

Ao longo da evolução da espécie, o pavão macho desenvolveu uma imensa cauda para “fazer bonito” e seduzir as fêmeas mais facilmente. Tal aparato diminui sua mobilidade geral, mas cumpre o objetivo: já foi observado que os pavões com maiores caudas tem mais atividade sexual e geram mais descendentes. O que agora se percebe é que o mesmo acontece com o macho humano.

Por que os músculos do homem são tão maiores que o das mulheres? Em parte os homens lutam e caçam. Mas também, talvez, porque mulheres gostam de homens capazes de fazer bem essas coisas, e, por isso, são atraídas por homens musculosos.

Os homens precisam consumir 50% a mais de calorias para realizar o mesmo que as mulheres e, quanto mais musculosos são, mais calorias gastam. Seu sistema imunológico também é menos efetivo que o das mulheres e piora quanto mais musculoso ele for. Em compensação, uma pesquisa que seguiu 12.000 americanos durante 6 anos comprovou que, quanto mais musculoso é o homem, mais cedo ele inicia sua vida sexual e mais parceiras tem.*

Ou seja, como acontece com a cauda do pavão, a musculatura vistosa mais atrapalha que ajuda, mas, sexualmente, vale a pena.

* Extraído resumidamente da edição on-line de The Economist: http://www.economist.com/sciencetechnology/displaystory.cfm?story_id=14302009

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terça-feira, 13 de outubro de 2009

IGNORÂNCIA?

O que Darwin diria sobre a psicologia evolutiva, uma área de estudo inspirada na teoria da seleção natural?

…há um certo exagero na tentativa de provar que tudo na sociedade tem origem evolutiva. Um exemplo desagradável: pela lógica da evolução, o estupro pode ser compreendido como uma forma mais eficiente de um macho propagar os seus genes...

Parece um religioso fundamentalista falando, mas foi extraído da entrevista à última Veja de Steve Jones, professor da University College London que está lançando o livro A Ilha de Darwin.

Se “há um certo exagero na tentativa de provar que tudo na sociedade tem origem evolutiva”, se a origem do que a civilização transforma não é natural, seria o quê? Sobrenatural?

É falso afirmar que “pela lógica da evolução, o estupro pode ser compreendido como uma forma mais eficiente de um macho propagar os seus genes”. Muitas espécies com dimorfismo sexual têm o estupro como estratégia reprodutiva. Uma dentre várias. A psicologia evolutiva apenas observa que os humanos não são exceção. Em vez de usar a observação para desqualificar, prefiro encará-la com seriedade, veja um exemplo neste blog: http://datrabalhoserfeliz.blogspot.com/2009/03/estupro-de-criancas-e-drama-diario.html.

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terça-feira, 6 de outubro de 2009

JOGA PEDRA NA GENI

© Agnieszka Pastuszak - Maksim | Dreamstime.com
Joga pedra no casamento, ele é feito para apanhar, ele é bom de cuspir¹. Toda colunista descasada ― solteira, divorciada, namorada de solteiro que “não se decide”, amante de homem casado ou simplesmente desesperada ― fala mal do casamento em suas crônicas. É patético.

Por razões evolucionistas, por mais independe que seja a mulher, é de sua natureza apreciar a proteção masculina; por razões culturais², ter um homem é um aval para suas qualidades femininas. Machismo? Mas a sociedade e as próprias mulheres são machistas.

No ensino médio, tive um professor de desenho bizarro. Ele não dava prova, afirmava saber quem era bom aluno. Nunca reprovou alguém, até que um dia:
― André, como você está em matemática?
― Ih professor, estou mal, acho que vou ficar de segunda-época.
― Física, química e português?
― Enrascado.
― André, vou reprová-lo, que é mais uma chaga para um pobre Lázaro?
Também vou jogar pedra no casamento: se ele ao menos enaltecia a mulher, está perdendo essa qualidade.

O casamento era uma aposta do homem na mulher, ou melhor, na deusa com quem queria viver para o resto da vida e por quem valesse a pena correr o risco da divisão patrimonial. Lembre-se de que os casamentos eram feitos em comunhão de bens e de que tudo conspira para o homem ser mais bem sucedido economicamente que a mulher.

A lei equiparou a união estável ao casamento com comunhão parcial de bens. Inclusive o namoro, pois não é preciso coabitar. Resultado: o casamento passou a ser visto como um seguro: “Namoro essa mulher e amanhã ela leva metade de tudo que eu ganhar. De jeito nenhum, vou me casar com separação de bens.” E assim, o casamento perdeu a antiga pureza.

1. Adaptado de Geni e o Zepelin de Chico Buarque.
2. A cultura, não raro, é uma causa secundária que expressa causas primárias naturais.

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terça-feira, 29 de setembro de 2009

A MAIOR INVENÇÃO DA HUMANIDADE

Uns dizem que foi o fogo, mas o fogo foi descoberto e não inventado, outros garantem que foi a roda e já houve quem dissesse que foram os óculos, porque, antes deles, a qualidade de vida despencava aos 40 anos com a vista-cansada. Nem roda, nem óculos: a maior invenção da humanidade foi a cozinha. O homo-sapiens nem existiria sem ela.

Vocês conhecem o jogo eletrônico “spore”? É uma brincadeira evolucionista genial. Você começa jogando com uma forma de vida elementar que, à medida que sofre mutações, ganha olhos, tentáculos, garras, etc. Essa parafernália ajuda-a a competir por alimento e reprodução, mas, em contrapartida, obriga-a a obter cada vez mais nutrientes.

A espécie humana sofreu uma série de mutações que lhe deram um cérebro potente que, no entanto, tem custo absurdo: com 2% de nossa massa corporal, utiliza 20% da energia que consumimos. Se transplantássemos o cérebro de um bebê humano para um bebê chipanzé, ele morreria de inanição antes da idade adulta porque a dieta cru dos macacos seria insuficiente para alimentá-lo.

Acredita-se que a cozinha foi inventada por ancestrais do homo-sapiens e que esta invenção viabilizou as mutações seguintes que resultaram em nosso cérebro voraz.

O cozimento permite a ingestão de alimentos duros demais ou tóxicos em estado natural. E também funciona como uma pré-digestão que aumenta a capacidade de absorção de nutrientes pelo organismo.

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terça-feira, 22 de setembro de 2009

FILHO DO AVÔ COM A NORA!?

© Pavel Losevsky | Dreamstime.com
Filhos têm exatamente 50% dos genes do pai (e 50% da mãe). Já os netos, aproximadamente, 25%. Este “aproximadamente” faz toda diferença, significa que herdam no mínimo 0% e no máximo 50% dos genes do avô.

Antônio (com genes aaaaaa) se casa com Beatriz (bbbbbb) e geram um filho ABelardo (aaabbb). Ele, casando-se com Cláudia (cccccc), pode gerar:

(aaaccc) que, geneticamente, não tem parentesco com a avó, é como se fosse filho do avô Antonio com a nora Cláudia;
(aabccc) mais parecido com o avô;
(abbccc) mais parecido com a avó; ou (bbbccc) que não tem parentesco genético com o avô, é como se fosse filha da avó Beatriz com Cláudia.

Como o ser humano tem milhares de genes, é extremamente improvável, embora não impossível, que um neto biológico não seja geneticamente descendente de um dos avós. Embora, nós sabemos, tem avô que se orgulha do netinho ser muito parecido consigo, enquanto outros ralham: “essa criança não é minha neta”.

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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

TARSO X IVONE

© Nilesh Bhange | Dreamstime.com
A novela acabou, Tarso e Ivone tinham distúrbios mentais, ele esquizofrênico, ela psicopata. Ele tem alucinações, sente-se perseguido, às vezes é violento. Ela não sente remorsos da dor que causa para atingir seus objetivos. Merecem ser castigados? Só a Ivone? Por quê? Por Lord Ganesha, ela também não tem culpa da doença mental que a vitima.

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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

QUEM NASCEU PRIMEIRO O ÔVO OU A GALINHA?

© Roman Dekan | Dreamstime.com

O ovo-de-galinha nasceu primeiro que a galinha. As mutações acontecem no momento da fusão dos gametas feminino e masculino quando alguma falha na transcrição ou ordenamento das bases genéticas resulta num gene inédito para espécie, não herdado da fêmea, nem do macho que o produziram. Portanto, num belo dia, um casal de ancestrais, que ainda não podiam ser denominados galinha, copulou e houve uma falha no processo de fusão dos gametas que resultou no inédito ovo-de-galinha, que, chocado, deu origem a primeira galinha.

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terça-feira, 25 de agosto de 2009

BEBÊ MULATO DE CASAL BRANCO!

© Yobro10 | Dreamstime.com
Um casal branco espera um filho. Nasce um bebê mulato. Todos são unânimes em acusar a mulher de infidelidade. Ela jura inocência, se desespera, mas não consegue explicar, nem entender o que possa ter ocorrido. E ela é realmente inocente, o bebê, pasmem, nasceu de um desconhecido que ela e o marido sequer viram.

ELEMENTAR MEU CARO WATSON...

Se o improvável jamais acontecesse, ninguém jogava na loteria.

Nove meses atrás, o marido teve relações extraconjugais com uma mulher logo após ela se deitar com um homem de raça negra. Como vimos na postagem anterior o relevo da parte posterior da glande funciona como um rodinho para retirar o esperma alheio. Principalmente no caso do homem não ser circuncidado, um pouco desse esperma fica retido em baixo do prepúcio. Ao chegar em casa, sem ter se lavado, ele fez sexo com sua mulher e o improvável aconteceu: fecundou-a com o esperma que trouxe da rua.

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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

POR QUE DESTA FORMA?

Você já se perguntou por que a forma do pênis humano lembra um cogumelo? Por que não é basicamente um canudo “sem cabeça” como o de outras espécies?



O professor Gordon Gallup da Universidade Estadual de Nova York pesquisou que vantagem evolutiva teria o formato e descobriu que o pênis humano exerce função dupla no coito: depositar esperma e expulsar o sêmen alheio que lá estiver. Durante o vai-e-vem do ato sexual, a glande, pontiaguda e revestida de pele lisa, funciona como um flecha que entra fácil, mas, ao sair, arranca o que estiver no entorno, no caso, o esperma do outro. A teoria foi publicada, em co-autoria com Rebecca Burch, no jornal “Evolutionary Psychology” em 2004. Para testá-la, o pesquisador comprou numa sexy shop uma vagina anatomicamente bem formada e falos com e sem glande. Colocou esperma artificial na vagina e simulou coitos com os dois tipos de falos: os com glande removeram 91% do esperma “alheio” contra apenas 35,3% dos “sem cabeça”. Achou bizarro? Gordon e co-autores receberam aprovação da universidade para fazer a pesquisa que, posteriormente, foi publicada no jornal “Evolution & Human Behavior”.

Depois de estudar a mecânica do coito, Gordon e Rebecca nos deixam uma pergunta intrigante: pode uma mulher engravidar de um desconhecido sem nunca ter feito sexo com ele e, obviamente, sem fazer inseminação artificial? Dou a resposta na próxima semana.

Baseado em artigo de Jesse Bering para Scientific American (on-line) de 27 de Abril de 2009: http://www.scientificamerican.com/article.cfm?id=secrets-of-the-phallus&print=true

PS: A observação de um leitor levou-me a nova consideração sobre o assunto, veja nos comentários.

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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

TODO SER HUMANO TEM “DUAS CARAS”

“Duas caras” é uma ofensa, significa que o sujeito não é o que aparenta ser, age de uma maneira pela frente e, às escondidas, de outra. O evolucionismo, entretanto, nos informa que isso é uma característica da natureza humana, todos agimos assim. É natural parecer-se mais confiável do que se é, inclusive, julgar-se melhor do que se é. E as leis que garantem a privacidade dos cidadãos nada mais são do que o reconhecimento de um direito: o de parecermos mais íntegros, mais puros do que realmente somos.

Então, quem é considerado “duas caras”? Apenas aquele que por exagero, ou descuido, é desmascarado.

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