segunda-feira, 18 de maio de 2009

O BRIGADEIRO (exemplo à postagem anterior)

© Celso Pupo rodrigues | Dreamstime.com

Ocasiões para exercitar virtudes surgem em família, com amigos, no trabalho, a toda hora e em qualquer lugar. Fique atento e lembre-se de que quando existe afeto fica mais fácil ser virtuoso.


  • Aos 52 anos de idade, por compaixão, fiz meu primeiro tabuleiro de brigadeiros. Fiquei orgulhoso com o sucesso da empreitada.
Estava tendo uma noite só para mim: minha mulher havia saído para jantar com antigas amigas do colégio, meu filho ia dormir na casa de um amiguinho e minha filha fazia não sei o que em seu quarto no mais absoluto silêncio. Sozinho no sótão, me divertia assistindo a um jogo transmitido ao vivo de alguma parte do mundo: tênis, basquete, futebol americano, não me lembro, qualquer esporte me distrai.
Lá pelas 11 da noite, minha filha adentra o sótão com fisionomia transtornada, esforçando-se para não chorar.
– Pai, amanhã é a festa da minha turma no colégio! Fiquei de levar os brigadeiros e me esqueci de falar com a mamãe.
Era a despedida pelo fim do ano letivo e cada aluno se responsabilizara por levar alguma coisa. Confesso que na hora não captei a gravidade da situação e ri achando graça de ela se desesperar por “tão pouco”.
– Pai! Você ri? Está todo mundo contando comigo, não sei o que vou fazer.
Nesse momento percebi que Clarisse, então com 9 anos de idade, sofria com a perspectiva de frustrar a confiança de colegas e professores.
  • Entender a dor do outro é a primeira parte da compaixão. A outra é se interessar pela solução como se o problema fosse seu.
– A que horas começa a festa? – perguntei, para ver se daria tempo de comprar os brigadeiros no dia seguinte, numa lojinha de doces próxima.
– Às 8 da manhã.
Ri novamente, desta vez da enrascada em que nós dois estávamos metidos. Felizmente, após um instante de reflexão, encontrei a saída.
– Você conhece meu lema: “Nada tema, com Flávio Franklin não há problema.” Ligue o computador, entre na internet e procure pela palavra “brigadeiro”. Há de vir alguma receita. Encontre uma bem simples, que eu vou ajudar você.
– Pai, achei! Vou imprimir — disse momentos depois, excitada pela idéia de fazer uma farrinha com o pai.
Fomos juntos para a cozinha, felizmente tinha tudo na despensa, até as forminhas apropriadas. Para fazer bastante brigadeiro, dobramos as quantidades da receita. Misturamos os ingredientes numa panela e ficamos mexendo durante o tempo recomendado. Em seguida, colocamos para esfriar para poder fazer as bolinhas. Acho que deveríamos ter aumentado também o tempo de cozimento, porque, ao esfriar, o doce continuou mole.
– Ih, pai! Deu errado.
– Nada tema, com Flávio Franklin não há problema. Vamos recolocar o brigadeiro na panela e deixar ferver mais uns 15 minutos.
Acostumada a dormir cedo, minha filha estava caindo de sono, mas continuava firme a meu lado, pronta para colaborar. Mandei-a ir para a cama sem se preocupar, pois o problema já estava “resolvido”, agora era apenas uma questão de tempo.
À uma hora da manhã, quando minha mulher chegou em casa, me encontrou orgulhoso ao lado de um grande tabuleiro de brigadeiros. Uma beleza!
No dia seguinte, de volta da escola, Clarisse me telefonou animada:
– Pai, os brigadeiros foram um sucesso! Quando cheguei, comi um para ver se estava bom, achei uma delícia. Quando fui comer outro, já não tinha mais. Não sobrou unzinho “para contar a história”.
  • Esse depoimento mostra que as virtudes podem ser exercitadas nas situações mais corriqueiras. E ensinadas pelo exemplo.
Reprodução das págs. 163 a 165 de “Dá trabalho ser feliz, mas vale a pena”.

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2 comentários:

Viviane Souza disse...

Flávio que linda experiência!
Vou ler o seu livro!
Tá trabalho "fazer brigadeiro", mas vale MUITO a pena!
Abç

Flávio Franklin disse...
Este comentário foi removido pelo autor.