
Faz parte dos mecanismos de sobrevivência das espécies identificar padrões e atribuir significados. Por exemplo, vultos são instintivamente associados a ameaças furtivas. Quanto mais vulneráveis estivermos, mais forte será a sensação de que o vulto é uma presença. Vultos podem ser inofensivos, mas durante a Pré-História, quem fugiu da sombra de uma árvore (falso-positivo) viveu, mas quem viu o vulto de um predador como uma sombra qualquer (falso-negativo) morreu. Porque o falso-positivo é inofensivo e o falso-negativo fatal, hoje, o homem moderno vê, ou “sente”, tantos perigos inexistentes.
Animais têm esse instinto, mas nós vamos além. Nosso cérebro é capaz de descobrir intenções em nós próprios e nos outros e não se satisfaz com a simples associação de significados, tipo vulto -> perigo, queremos descobrir a intenção, que requer um agente: vulto - > querem me atacar(comer) -> predador(leão). Nossa capacidade mental de descobrir intenções nos levou a inferir agentes, que nos levou ao espiritualismo: xamanismo, paganismo, animismo, politeísmo, monoteísmo... Deus.
Baseado no artigo Agenticity de Michael Shermer publicado na Scientific American de Junho/2009.
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